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  • postado por: Isabela Soares | 12 ago 2017

    Lázaro é pai, e neste dia nada melhor do que falar de sua obra recém lançada.
    Neste livro Lásaro nós conta sobre a sua infância, sobre a ilha de Paty na Bahia, como foi ser uma criança vivendo em uma ilha.
    Conta-nos como foi viver em um círculo protetor onde a questão de ser negro não era falada, pois onde ele cresceu a grande maioria era de pessoas como ele.
    Como foi quando ele saiu desse círculo protetor e teve que encarar o racismo.
    Brinda-nos com as emoções da primeira vez que ouviu o orgulho de ser negro em um carnaval cantado a plenos pulmões.
    Ficamos sabendo como as questões raciais entraram forte na vida dele quando ele se juntou ao grupo Bando de teatro Olodum.
    Lázaro nós mostra que os convidados do seu programa na TV Brasil , o Espelho , lhe trouxeram muitos ensinamentos. O livro não é uma autobiografia, mas Lázaro compartilha conosco um pouco de sua história e trajetória que faz ele ser quem ele é hoje e pensar como pensa hoje. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, Lázaro nos fala da importância do diálogo. Não se pode abraçar a diferença pela diferença, mas lutar pela sua aceitação num mundo ainda tão cheio de preconceitos.
    De uma maneira leve e sincera, o escritor nos mostra como diversas ações que passam despercebidas por grande parte dos brasileiros, são discriminatórias e alimentam cada vez mais o racismo enraizado da nossa sociedade. Lázaro Ramos, munido de diversas referências, consegue nos fazer enxergar e ficar atento com as mazelas que tornam o Brasil um país excludente, um país que veladamente extermina a raça que faz parte de suas origens.
    Acredito que Na minha pele é uma ótima leitura para discutir o tema em salas de aula e contribuir para o incentivo da leitura. A narração fluida faz com que a voz de Lázaro Ramos ecoe na nossa cabeça conforme lemos cada palavra. A linguagem clara e objetiva nos faz sentir próximos ao escritor, como se estivéssemos assistindo ao seu programa Espelho, no Canal Brasil.
    A dica é que leiam o livro, releiam se puder, conversem, discutam, analisem, observem e por fim, contribua com a luta contra a discriminação por raça. Se a mudança começar por você, pelos valores que você passa para seus filhos, amigos e família, já é um grande passo para tornar o país bom para ser negro, pardo, vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil, violeta e qualquer outra cor, raça, gênero que houver neste mundão tão complexo.

    Um livro fácil de ler e de sentir. Sentir com Lázaro as tristezas que o racismo provoca, sentir quantas vezes somos deixados de lado por falta de oportunidades.
    Que nosso caminho é muito mais longo e precisamos resistir.
    Eu chorei , eu ri e refleti sobre muitas coisas. O bacana de tudo é que conheci mais um pouco de Lázaro Ramos.
    Ele, como a grande parte de nossa geração, busca soluções para o racismo que mata jovens negros diariamente.
    O racismo que faz com que mulheres negras recebam menos anestesia na hora do parto, porque somos fortes e aguentamos a dor, e podemos lembrar com isso dos tempos da escravidão: “negro não tem alma, então não sente dor”.
    O racismo que faz com que nossas vidas não importem.
    Algo muito bacana de ler no livro é sobre a sua família, esse círculo protetor que Lázaro cultiva até hoje.
    Me tocou profundamente as partes que ele fala de sua mãe. Outro ponto importante para observar é a relação com o pai.
    Foram de grande aprendizado e ao mesmo tempo acolhedoras as horas passadas com Lázaro em NA MINHA PELE.
    Sabe quando você lê algo que te toca? Pois você entende perfeitamente o sentimento do autor do livro, é isso que o livro fez comigo.